Coração Civil - Miltom Nascimento.
Brasil Digno está aberto à todos. É um lugar de reflexão sobre as questões brasileiras que emperram o avanço dessa nação rumo à um dia-a-dia mais justo, seguro, próspero e feliz. Aqueles que desejarem escrever e publicar suas idéias no BRASIL DIGNO serão muito bem vindos. Comentários e críticas, postar direto no blog. Os textos maiores, enviem para o nosso email, junto com nome, contato, data. Serão publicados integralmente. Abraços grande à todos.
No bojo da polêmica sobre Juan Carlos I e o coronel Hugo Chaves: Chaves não é diferente de Cortez Raimundo, seu ponto de vista é bem elaborado mas... se permite-me dizer CHAVES não passa de neo-caudilho e deixa claro nas suas ações que não está preocupado com democracia ou em sanar a pobreza e miséria do mundo. Se essa é, de fato, uma preocupação norteadora do governo dele por que não começa por agir pela própria Venezuela e a enormidade de miseráveis que perambulam pelo país? E se ele é tão altruísta e líder dedicado as lutas sociais por que precisa calar seus opositores caçando-lhes direitos ou metendo-lhes uma bala na nuca? É facil encontrar gente até hoje que justifica, racionalmente mesmo, as ações de Stalin ou de Hitler! Tanto é que há milhões de adeptos de ambos mundo afora em pleno século XXI. Sou historiador e sei bem as mazelas e desgraças que cruzaram a formação das nações americanas; que nossas terras foram banhadas de sangue mas sei também (e a história está repleta de exemplos concretos) onde vai dar a aventura de golpistas. Chaves não é melhor do que Fernão Cortez. Quanto a "educação" do Coronel: Chaves não é gentil nem paciente, nem "calmo ou tolerante" e seus opositores na Venezuela constatam isso diariamente. Por que o seria com Juan Carlos I ? Talvez porque não pudesse dar com um porrete de madeira na cara dele via satélite para o mundo todo?!! Não ia ficar bem né? Mas pode (e faz) isso com seu próprio povo. (ou será que aqueles que discordam não são mais povo?! ) Não é interessante? Isso me lembra uma moeda... por que será? Acho que ele (Chaves) tem muitas e verdadeiras qualidades e uma delas é admirável pois consegue fazer com que milhões digam (sem pestanejar) amém as suas ações. É aliás umas das qualidades que fizeram a glória de milhares de ditadores. Vou adorar daqui a 20 anos futucar arquivos e fazer um belo estudo sobre como as pessoas são tão facilmente enganadas. Duas décadas são suficientes para ninguém dizer que "eu não imaginava que ele era assim!!" Vai ser uma delicía e renderá um bom livro.
Aos Senadores:
Quero a felicidade nos olhos de um pai.
Quero a alegria muita gente feliz.
Quero que a justiça reine em meu país.
Quero a liberdade, quero o vinho e o pão.
Quero ser amizade, quero amor, prazer.
Quero nossa cidade sempre ensolarada.
Os meninos e o povo no poder, eu quero ver.
São José da Costa Rica, coração civil.
Me inspire no meu sonho de amor Brasil.
Se o poeta é o que sonha o que vai ser real,
Bom sonhar coisas boas que o homem faz,
E esperar pelos frutos no quintal.
Sem polícia, nem a milícia, nem feitiço, cadê poder ?
Viva a preguiça viva a malícia que só a gente é que sabe ter.
Assim dizendo a minha utopia eu vou levando a vida,
Eu viver bem melhor,
Doido pra ver o meu sonho teimoso,
Um dia se realizar.
Milton Nascimento e Fernado Brant.
brasildigno@yahoo.com.br
Foto: by Carf - Mundo Uno.
Lula e a derrota da Casa Grande "Casa-Grande & Senzala" (1933) de Gilberto Freyre representa mais que um dos textos fundadores da moderna interpretação do Brasil. Os dois termos dão corpo a um paradigma e a uma forma de habitar o mundo. Habitar na forma da Casa-Grande significa estabelecer uma relação patriarcal de dominação social, de criação de privilégios e hierarquias. Habitar na forma da Senzala é ser expoliado como ser humano, seja na forma do escravo negro, feito "peça" a ser vendida e comprada no mercado, seja do trabalhador, usado como "carvão a ser consumido" (Darcy Ribeiro) na máquina produtiva. Estas duas figuras sociais superadas historicamente, ainda perduram introjetadas nas mentes e nos hábitos, especialmente de nossas holigarquias e elites dominantes. Elas ainda se consideram as donas do Brasil com exigua sensibilidade pelo drama dos pobres. A Casa-Grande se transformou em poderosa realidade virtual que se manifesta na forma como age o grande capital nacional, como se fazem alianças entre donos da imprensa empresarial, como se manejam os fatos e se cria o imaginário pela televisão para que a Senzala continue Senzala, seu lugar na sub-história. Ocorre que os da Senzala sempre resistiram, se revoltaram, criaram seus milhares de quilombos, se fundiram com os demais pobres e marginalizados e conseguiram, especialmente a partir de 1950, se organizar num sem-número de movimentos sociais populares. Conquistaram aliados de outras classes, intelectuais e setores importantes das Igrejas. Criaram o poder social popular que, num dado momento, se afunilou em poder político e com outras forças deram origem ao Partido dos Trabalhadores (PT). De dentro desse povo irrompeu Lula como legítimo representante destes destituidos da Casa Grande, com carisma e rara inteligência. Dou meu testemunho pessoal: corri quase todo o planeta, encontrei-me com nomes notáveis da política, das ciências, do pensamento e das artes. Dentre os mais inteligentes que encontrei, está Luiz Inácio Lula da Silva, agora nosso Presidente. Somente ignorantes podem chamá-lo de ignorante. Sua inteligência pertence ao seu carisma: desperta, arguta, indo logo ao coração dos problemas e sabendo formulá-los do seu jeito próprio, sem passar pelo jargão científico. Sua vitória é de magnitude histórica, pois por duas vezes a Senzala venceu a Casa Grande. Os continuadores da Casa Grande fizeram tudo e tentarão ainda tudo para atravancar essa vitória. Como não têm tradição democrática e parco senso ético, costumam usar todas as armas, armar "maracutáias", como fizeram em eleições anteriores. Apenas esperamos que não utilizem o expediente do assassinato. O desafio agora é consolidar a vitória da Senzala e dar sustentabilidade a um projeto que supere historicamente esta divisão perversa da Casa-Grande &Senzala para se inaugurar um novo tempo de uma "democracia sem fim" (Boaventura de Sousa Santos), de cunho popular e participativo. Esse projeto só ganhará curso se Lula realimentar continuamente suas raizes numa artiulação orgânica com as bases de onde veio. São elas as portadores do sonho de um outro Brasil e infundirão força ao Presidente. As feridas que a Casa Grande abriu no tecido social e ecológico de nosso pais são sanáveis. Uma política que tem o povo como centro fará bem até a estas elites. Agora não tem lugar a revanche mas a magnanimidade, o país unido ao redor de um projeto includente.
Rodrigo meu Querido Amigo,
recebi a carta do Boff, que me enviou.
Para esse menino e outros milhões de brasileiros, quando chegará o progresso?
e por uma "máquina estatal" que utilize, responsavelmente e em bebefícios da nação, os bilhões de reais oriundos desses mesmos impostos, pagos com o labor árduo do povo brasileiro, e dos que aqui escolheram para trabalhar, estudar e viver. Estamos perdidos se tivermos que contar com essa gente, com essa casta de 'coronéis' reeditados com cara de bons moços ou a capa de pais afetuosos e interessados em trabalhar pelo bem público. Apresentam-se como servidores da pátria mas a sugam até o último suspiro, se permitirmos que o façam.
Le Cuisinier.