Brasil Digno.

Brasil Digno está aberto à todos. É um lugar de reflexão sobre as questões brasileiras que emperram o avanço dessa nação rumo à um dia-a-dia mais justo, seguro, próspero e feliz. Aqueles que desejarem escrever e publicar suas idéias no BRASIL DIGNO serão muito bem vindos. Comentários e críticas, postar direto no blog. Os textos maiores, enviem para o nosso email, junto com nome, contato, data. Serão publicados integralmente. Abraços grande à todos.

segunda-feira, outubro 30, 2006

Coração Civil Pleno.

Quero a utopia,
.Quero tudo e mais.

Quero a felicidade nos olhos de um pai.

Quero a alegria muita gente feliz.

Quero que a justiça reine em meu país.

Quero a liberdade, quero o vinho e o pão.

Quero ser amizade, quero amor, prazer.

Quero nossa cidade sempre ensolarada.

Os meninos e o povo no poder, eu quero ver.

São José da Costa Rica, coração civil.

Me inspire no meu sonho de amor Brasil.

Se o poeta é o que sonha o que vai ser real,

Bom sonhar coisas boas que o homem faz,

E esperar pelos frutos no quintal.

Sem polícia, nem a milícia, nem feitiço, cadê poder ?

Viva a preguiça viva a malícia que só a gente é que sabe ter.

Assim dizendo a minha utopia eu vou levando a vida,

Eu viver bem melhor,

Doido pra ver o meu sonho teimoso,

Um dia se realizar.

Milton Nascimento e Fernado Brant.

brasildigno@yahoo.com.br

Foto: by Carf - Mundo Uno.

sexta-feira, outubro 27, 2006

Coração Civil...

" "Os meninos e o povo no poder, eu quero ver"
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Le Cuisinier.
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foto: by carf.
Fragmento da canção Coração Civil de Milton Nascimento e Fernando Brant.

quarta-feira, outubro 25, 2006

Carta de Boff sobre Lula.

Lula e a derrota da Casa Grande "Casa-Grande & Senzala" (1933) de Gilberto Freyre representa mais que um dos textos fundadores da moderna interpretação do Brasil. Os dois termos dão corpo a um paradigma e a uma forma de habitar o mundo. Habitar na forma da Casa-Grande significa estabelecer uma relação patriarcal de dominação social, de criação de privilégios e hierarquias. Habitar na forma da Senzala é ser expoliado como ser humano, seja na forma do escravo negro, feito "peça" a ser vendida e comprada no mercado, seja do trabalhador, usado como "carvão a ser consumido" (Darcy Ribeiro) na máquina produtiva. Estas duas figuras sociais superadas historicamente, ainda perduram introjetadas nas mentes e nos hábitos, especialmente de nossas holigarquias e elites dominantes. Elas ainda se consideram as donas do Brasil com exigua sensibilidade pelo drama dos pobres. A Casa-Grande se transformou em poderosa realidade virtual que se manifesta na forma como age o grande capital nacional, como se fazem alianças entre donos da imprensa empresarial, como se manejam os fatos e se cria o imaginário pela televisão para que a Senzala continue Senzala, seu lugar na sub-história. Ocorre que os da Senzala sempre resistiram, se revoltaram, criaram seus milhares de quilombos, se fundiram com os demais pobres e marginalizados e conseguiram, especialmente a partir de 1950, se organizar num sem-número de movimentos sociais populares. Conquistaram aliados de outras classes, intelectuais e setores importantes das Igrejas. Criaram o poder social popular que, num dado momento, se afunilou em poder político e com outras forças deram origem ao Partido dos Trabalhadores (PT). De dentro desse povo irrompeu Lula como legítimo representante destes destituidos da Casa Grande, com carisma e rara inteligência. Dou meu testemunho pessoal: corri quase todo o planeta, encontrei-me com nomes notáveis da política, das ciências, do pensamento e das artes. Dentre os mais inteligentes que encontrei, está Luiz Inácio Lula da Silva, agora nosso Presidente. Somente ignorantes podem chamá-lo de ignorante. Sua inteligência pertence ao seu carisma: desperta, arguta, indo logo ao coração dos problemas e sabendo formulá-los do seu jeito próprio, sem passar pelo jargão científico. Sua vitória é de magnitude histórica, pois por duas vezes a Senzala venceu a Casa Grande. Os continuadores da Casa Grande fizeram tudo e tentarão ainda tudo para atravancar essa vitória. Como não têm tradição democrática e parco senso ético, costumam usar todas as armas, armar "maracutáias", como fizeram em eleições anteriores. Apenas esperamos que não utilizem o expediente do assassinato. O desafio agora é consolidar a vitória da Senzala e dar sustentabilidade a um projeto que supere historicamente esta divisão perversa da Casa-Grande &Senzala para se inaugurar um novo tempo de uma "democracia sem fim" (Boaventura de Sousa Santos), de cunho popular e participativo. Esse projeto só ganhará curso se Lula realimentar continuamente suas raizes numa artiulação orgânica com as bases de onde veio. São elas as portadores do sonho de um outro Brasil e infundirão força ao Presidente. As feridas que a Casa Grande abriu no tecido social e ecológico de nosso pais são sanáveis. Uma política que tem o povo como centro fará bem até a estas elites. Agora não tem lugar a revanche mas a magnanimidade, o país unido ao redor de um projeto includente.
Leonardo Boff, Teólogo
Petropolis, RJ, 24 de outubro de 2006.
Esta mensagem foi enviada por Rodrigo Magalhães para Le Cuisinier em 25 de outubro de 2006.
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Carta à Um Jovem Amigo.

Rodrigo meu Querido Amigo, recebi a carta do Boff, que me enviou.
Conheci o Boff há muitos anos atrás. Ele foi meu professor quando eu ainda participava da Igreja Romana e era um jovem e rebelde noviço franciscano. Ao longo dos anos, tenho acompanhado a sincera luta dele por reais transformações no Brasil e na Igreja. Sei que ele é um homem íntegro, honesto e do "bem". O mesmo penso e acredito sobre você meu jovem e querido amigo: é íntegro, honesto, um garoto do "bem" e quer o melhor para o nosso Brasil, para a nossa gente. A carta de Boff é um apelo irrecusável a reflexão e a um olhar mais demorado sobre esse processo eleitoral e sobre todas as forças reacionários que estão por trás dele. Forças que dominaram esse país por mais de 500 anos e só fizeram aumentar, sem dó, o fosso da miséria, da pobreza e da desesperança de nossa gente. Pois votarei não no Lula, mas no PROJETO, construído duramente, pela conjunção das forças democráticas e que anseiam concretizar, reais transformações nas estruturas sociais, econômicas, políticas e educacionais no BRASIL. "O desafio agora é consolidar a vitória da Senzala e dar sustentabilidade a um projeto que supere historicamente esta divisão perversa da Casa-Grande & Senzala para se inaugurar um novo tempo de uma "democracia sem fim" (Boaventura de Sousa Santos), de cunho popular e participativo. Esse projeto só ganhará curso se Lula realimentar continuamente suas raízes numa articulação orgânica com as bases de onde veio. " (L.Boff).
Pois caberá a todos nós que acreditamos NESSE PROJETO, cuidar para que ele não esmaeça ou seja corrompido em função dos "delírios do poder". Lula não é o projeto, mas um gerente do mesmo. Lula não é o seu proprietário, mas um representante desses anseios de transformações, mais profundas e fecundas, que batem nos corações dos brasileiros. Da mesma forma, figuras proeminentes do partido dos trabalhadores, embriagadas pelo poder, não são o PROJETO, são funcionários dele. Há, pois, a real necessidade de, em um segundo mandado consecutivo de Lula, acompanhá-lo de MUITO perto para que não se desvie mais uma vez do caminho, colocando em risco centenas de anos de lutas; para que o sangue, fartamente derramado dos brasileiros, não tenha sido posto ao chão em vão. Reeleger Lula não é elegê-lo, mas sim ao PROJETO do qual falamos, do qual tão afetivamente fala L.Boff. Vamos, pois, nesse domingo à reeleição!
Meu abraço a você e meu carinho fraterno.
Le Cuisinier.

segunda-feira, outubro 16, 2006

Brasil Sem Rosto !

Para esse menino e outros milhões de brasileiros, quando chegará o progresso?
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Assisti dois debates nos últimos dias em função das eleições de 2006.
Um, com candidatos à presidência da república. O outro, com os postulantes ao governo do Estado do Rio de Janeiro. Tenho acompanhado também, boquiaberto, a campanha política obrigatória e as declarações feitas em entrevistas e comícios por Alckmin, Luiz Inácio e Sérgio Cabral - o trio calafrio - e por uma enorme quantidade de parlamentares e "afiliados" que apoiam uma corrente ou outra. O sumo, o que resta após horas de vai lá - vem cá entre os candidatos, é a certeza de que estamos perdidos se tivermos que contar com essa gente. E quando digo essa gente, refiro-me a esses "políticos" moldados no mesmo barro que deu origem a criaturas como Maluf, Garotinho, PC Farias, Fernando Collor de Mello, Rosinha Garotinho, Jader Barbalho, para lembrar só alguns; alguns dos MUITOS da mesma estirpe, e que Brasil afora, pedem o nosso voto e "juram" amor eterno ao serviço público. Esses políticos são arrogantes, impermeáveis ao sofrimento de nossa gente, sobretudo de nossas crianças e jovens. Tagarelam e matraqueiam sem parar sobre o que vão fazer ou sobre o que não fizeram seus oponentes. Delineiam, em seu falatório, os rumos do Estado e do país partindo de uma cegueira peculiar que afeta esses senhores e senhoras. Amam mais seus interesses particulares e os cofres públicos, do que àqueles a quem prometem mundos e fundos na luta por mais um voto, e através dele, acesso ou permanência no poder. São sorridentes, simpáticos, amorosos e caridosos enquanto em campanha, ou diante das luzes e flashs da mídia, mas não estendem a mão para à Nação. Não ouvem os apelos gritados dos miseráveis, não enxergam a dura e trágica realidade que se abate sobre mais de cem milhões de brasileiros. Quando estão em seus gabinetes com tapetes persas, ou em seus carros blindados com ar condicionado e música suave, ou em "reuniões" em restaurantes caríssimos, são "tele transportados" para um mundo que não é o mesmo que vivem os brasileiros no seu dia-a-dia. E nessa realidade virtual construída, ficam ocupados demais. Ocupados demais com as artimanhas do "é dando que se recebe"; ocupados demais com os cabos de guerra entre eles mesmos na luta pela sustentação e consolidação de suas ambições políticas; ocupados demais em tecer as tramas do poder. De um tipo de poder que não é o que lhes dá a possibilidade e capacidade de REALIZAR as funções para as quais foram eleitos. Mas, ao contrário, se dedicam com afinco na estruturação de um poder que os habilita a realizar os seus mais baixos anseios de dinheiro, fama e domínio. Nos falam do Brasil como sendo de TODOS nós, mas pensam e agem no Brasil como sendo deles, território particular, colônia de extração de riquezas em benefício próprio. São estéreis aos apelos de socorro que vem da população brasileira - de todos os cantos, recantos e rincões - por uma justiça mais igualitária e eficaz, por mais saúde, por educação de qualidade e acessível, por uma polícia parceira, democrática e eficiente, por mais trabalho, por mais cultura, por uma melhor distribuição de renda, por impostos mais justos e equilibrados e por uma "máquina estatal" que utilize, responsavelmente e em bebefícios da nação, os bilhões de reais oriundos desses mesmos impostos, pagos com o labor árduo do povo brasileiro, e dos que aqui escolheram para trabalhar, estudar e viver. Estamos perdidos se tivermos que contar com essa gente, com essa casta de 'coronéis' reeditados com cara de bons moços ou a capa de pais afetuosos e interessados em trabalhar pelo bem público. Apresentam-se como servidores da pátria mas a sugam até o último suspiro, se permitirmos que o façam.
Isso nos impõe uma reflexão: a necessidade, que temos, de definir um novo caminho e a urgência de efetivar ações que, concretamente, nos permitam trafegar em outro patamar, que nos possibilite alavancar a nossa sociedade e a nação para a realização de nossos anseios e desejos fundamentais. Essa é uma tarefa inadiável e a qual temos que dar curso já.
Um bom começo é manter uma intensa fiscalização dos políticos que estão sendo eleitos e reeleitos agora. Sobretudo aqueles que, sabemos, foram moldados, formados e forjados com a argamassa da mentira, da deslealdade e da corrupção.
"Eu quero terra, fogo, pão, mar, livros, pátria para todos"(1) e que o Brasil não durma mais amontoado em becos imundos, ou sob as marquises de prédios comerciais, ou nos cantos escuros das praças urbanas, ou nos presídios super lotados, ou nos lixões, ou nas escolas abandonadas. Esse Brasil sem rosto, coberto com a bandeira invisível da desesperança e do desamor, os políticos fazem questão de não ver. Nós não podemos fazer o mesmo que eles!
Le Cuisinier.
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(1) Pablo Neruda
foto:by carf

segunda-feira, outubro 02, 2006

BRASIL,
Qual é o seu Olhar?
Le Cuisinier.
Foto: By Carf.

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